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Nísia Trindade é a primeira mulher a comandar o Ministério da Saúde

Publicado por Papo Reto News em

Pesquisadora tem experiência na área da saúde, especialmente voltada a ciência e pesquisa, e promete uma gestão pautada pelo diálogo.

cientista e pesquisadora Nísia Trindade é a primeira mulher a assumir o comando do Ministério da Saúde – criado em 25 de julho de 1953. A cerimônia de posse aconteceu nesta segunda-feira (2). 

Nísia já havia sido a primeira mulher a presidir a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), uma instituição de referência no ramo da ciência e tecnologia.

Na fundação também foi diretora da Casa de Oswaldo Cruz (1998 – 2005), unidade focada na pesquisa e memória em ciências sociais, história e saúde e vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação (2011-2016) onde, por exemplo, coordenou as Semanas Nacionais de Ciência e Tecnologia.

Como presidente, expandiu a atuação da Fiocruz no cenário global e coordenou a Rede Zika Ciências Sociais, que participa da Zika Alliance Network, consórcio integrado por 54 países. Nísia também faz parte dos grupos de trabalho do Plano de Ação Global da OMS, voltado ao aumento da efetividade dos sistemas de saúde e a implementação da Agenda 2030.

A gestão da ministra na fundação ainda foi marcada pelo enfrentamento da pandemia de Covid-19. Nísia, no entanto, conseguiu tornar a instituição uma referência e coordenou a negociação do Ministério da Saúde com as principais farmacêuticas produtoras de vacina, como a AstraZeneca. 

Após essa negociação, a Fiocruz conseguiu ser a primeira instituição do Brasil a produzir uma vacina contra a Covid. 

Dentre os feitos alcançados pela instituição, estão: criação de um novo Centro Hospitalar no campus de Manguinhos (Rio de Janeiro), aumento da capacidade nacional de produção de kits de diagnóstico e processamento de resultados de testagens, capacitação de profissionais do SUS (Sistema Único de Saúde) e criação do Observatório Covid-19.

Para além dos cargos, Nísia é formada em Ciências Sociais pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), mestre em Ciência Política pelo Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, atual Iesp) e doutora em Sociologia.

A ministra também é pesquisadora de produtividade de nível superior do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e autora de diversas obras e artigos, como a tese de doutorado Um Sertão Chamado Brasil, que ganhou o prêmio de melhor tese da Iesp.

Atualmente, é membro do RVMC (Comitê Diretivo do Colaborativo Regional de Produção de Vacinas) e da Plataforma Regional da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), que realiza pesquisas para a produção de vacinas contra Covid e outras tecnologias de saúde.

Em dezembro de 2020, Nísia tornou-se membro titular da ABC (Academia Brasileira de Ciências) na categoria de Ciências Sociais. Em 2022, foi eleita membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS, na sigla em inglês).

A ministra tem o grau de Cavaleira da Ordem Nacional da Legião de Honra da França, dado pelo governo da França, em reconhecimento ao seu trabalho nas áreas da ciência e da saúde e pelos serviços prestados à sociedade durante a pandemia de Covid-19.

Foco de gestão

A ministra da Saúde afirmou durante a posse que sua gestão à frente da pasta será pautada pela ciência e diálogo entre comunidades científicas e sociedade. Em seu discurso, reforçou a importância dos laboratórios públicos e citou, além da Fiocruz, o Instituto Butantan, responsável pela produção da CoronaVac.

Ela ainda agradeceu o convite para compor o governo e contou que, ao ser escolhida, o presidente disse que gostaria de alguém comprometido com o SUS no cargo.

“E mais, [disse] que queria alguém com sensibilidade para o sofrimento do nosso povo, cuidado com esse povo, como ele bem tanto afirma, sobretudo com a população mais pobre”, disse.

“Podem ter certeza que firmei esse compromisso com muita convicção de quem há muito tempo estuda as desigualdades neste País e que atua na área de Ciência e Tecnologia”, afirmou a ministra.

Nísia indicou que pretende trabalhar de forma cooperativa à frente do Ministério da Saúde. Afirmou que não é possível realizar essa tarefa de “forma isolada”, que a saúde precisa estar em todas as políticas e indicou querer trabalhar em parceria com demais entes.

“Minha gestão se pautará pelo imprescindível trabalho colaborativo”, disse a ministra. “Reforço meu compromisso com gestão e cooperação interfederativa.”

Logo no início do pronunciamento, Nísia citou o fato de não estar utilizando máscara de proteção, mas afirmou que todos têm “convicção na proteção das vacinas.”

Ela aproveitou para incentivar que todos os brasileiros e brasileiras completem seu esquema vacinal.

Fonte, Texto e Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil/CP


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